terça-feira, 8 de abril de 2014

Meu medo Virou Realidade,Maria Bethania Canta Beijo no Ombro.É o fim do Mundo


Depois de Valesca Popozuda , aparecer ( e se sentir  importante) no Faustão e na Ana maria Braga, e agora em prova em Brasilia  (
Uma questão de uma prova de Filosofia, aplicada a estudantes do Centro de Ensino 3,de Taguatinga (DF), chamou a atenção ao ser publicada no Facebook por alunos da escola. A pergunta citava a letra do hit Beijinho no Ombro, da cantora Valesca Popozuda.
A questão contida na prova, aplicada na última sexta-feira (4), para alunos do segundo e terceiro ano do ensino médio, dizia: “Segundo a grande pensadora contemporânea Valesca Popozuda, se bater de frente é: A – tiro, porrada e bomba; B – é só beijinho no ombro; C – recalque;  D – é vida longa”.
A diretoria da escola afirma que o professor tem total liberdade para escolher as questões das provas e que o professor não vai sofrer represália devido ao caso.). Eu tinha medo de Bethania cantar. e não é que meu temor tornou-se realidade.
como
O comediante Gustavo Mendes faz uma ótima interpretação da Maria Bethânia nos seus shows de comédia. Mas não é uma imitação qualquer, e sim um cover do hit “Beijinho no Ombro”, da Valesca Popozuda, na voz inconfundível da baiana.

Meu Primeiro Livro



bons amiguinhos - olga pereira mettig e maria lígia de l. magalhães - 3





Vamos crianças!!! Todos abrindo o livro Bons Amiguinhos!







O texto é mimoso demais!!!!







Aprazível! Uma palavra que já não se usa! Acho que nem sabem mais o que seja!
Uma praia deserta, por exemplo, é tão aprazível, mas faz a linha "morte certa" hoje em dia.

Eu comi tanto Rabo de Tatu!!! Olhos de Perdiz! Empadinha Três Pingos! Adoro



Regina. Aceito parabéns meu aniversário passagem. 









Tomar banho e escovar os dentes. É isso que o povo atualmente tem que fazer com vontade!




Muito bem! !




Muito bom

domingo, 2 de fevereiro de 2014

2 de Fevereiro: Dia de Festa no Mar




2 de Fevereiro: Dia de Festa no Mar 


Foi assim que o baiano-carioca Dorival Caymmi cantou para a Senhora Dona das Águas:
Dia dois de fevereiro (é) dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro a saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela, pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela, de cravos e rosas, vingou
Chegou, chegou, chegou afinal que o dia dela chegou(1)

Para nós de “Afrodescendestes em Amai-Vos”, o Dia Dela também chegou!
Apesar de receber homenagem em diferentes épocas do ano, nas datas dedicadas às Iabás (Orixás Femininos) e na virada do ano (no dia 31 de dezembro), em praticamente todas as cidades costeiras do Brasil, independentemente da fé religiosa de cada participante, o dia 2 de fevereiro é louvado como o “dia de Iemanjá”.
E essa louvação, como um “presente para Iemanjá”, surgiu na Bahia. É uma idéia que teria vindo de um pescador, para reviver a festa do Rio Vermelho, devido a problemas de “sincretismo” que a igreja católica não admitia(2) e (3). Os pescadores, então, decidiram dar um presente à Mãe d´Àgua, no dia 2 de fevereiro. Mas precisavam da ajuda de alguém que conhecesse bem o culto da Mãe d’Água. Os pescadores acorreram a Júlia Bogun, Mãe-de-Santo do candomblé. Ela explicou como deveria ser um presente para Iemanjá, de acordo com o preceito africano. Pediu que fossem comprados um balaio grande, uma talha de barro, flores e fitas nas cores do Orixá: branco e azul. O presente foi levado para a Casa do Peso e depois encaminhado ao mar.
Foi assim que a partir da década de 1930 houve a ascensão do Presente da Mãe d’Água que só recebeu a denominação de Festa de Iemanjá na década de 1960 e se espraiou por todo o Brasil.

Ìyáàgbà ó dé iré sé
A kíì e Yemonja
A koko pè ilê gbè a ó yó
Odò ó fí a sà
Wè rè ó
A velha mãe chegou fazendo-nos felizes,
Nós vos cumprimentamos Iemanjá,
A primeira que chamamos para abençoar a nossa casa e nos encher de satisfação.
Usar o seu rio que escolhemos para nos banharmos, pois o rio que escolhemos é o que usas para o seu banho.(4)
Iemanjá é uma dentre as divindades do panteão africano: Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja, Iemanjá ou Yemoja. Seu nome deriva da expressão na língua Iorubá "Yèyé omo ejá" ("Mãe cujos filhos são peixes").
Em sua origem africana, Iemanjá é representada como mulher adulta, sendo filha de Olóòkun - Orixá do Mar.
Yemoja é Orixá da nação Egbá, na Nigéria, onde existe um rio com o mesmo. É Orixá que representa a criação efetivada, sendo responsável pela fertilidade, fecundidade, abundância. Seu culto tem relevo nas religiões de matrizes africanas, na medida em que a iniciação dos/as adeptos/as (Bori) é dedicada a esse Orixá. É assim que ela é a Mãe de todos os Orixás.
Conforme Pierre Verger, seu culto inicialmente era feito na região entre Ifé e Ibadan, "onde existe ainda o rio Yemoja. As guerras entre nações Yorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX, onde passou a ser cultuada em outro rio... O principal templo de Iemanjá está localizado em Ibará, um bairro de Abeukutá. Os fiéis desta divindade vão todos os anos buscar a água sagrada para lavar os axés, numa fonte de um dos afluentes do rio Ògùn, o rio Lakaxa. Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira (ère) e um conjunto de tambores. O cortejo na volta, vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará."(5)

O culto à Iemanjá e aos demais Orixás foi trazido para as Américas pelos africanos escravizados, muitos dos quais eram sacerdotes nas nações do continente africano. Ao se defrontarem com a realidade das novas terras, para onde foram levados sem direito de escolha, sacerdotes e sacerdotisas tiveram que fazer adaptações aos costumes rituais para dar continuidade ao culto aos Orixás. Despojados pelo tráfico explorador de mão-de-obra, negros e negras chegavam com o único bem, com o qual agüentaram as agruras da travessia do Oceano Atlântico: suas lembranças e a fé que tinham nos Orixás, nos Ancestrais.
Quando comparamos as histórias contadas oralmente, pode-se constatar que os métodos utilizados foram praticamente os mesmos em lugares muitas vezes muito distantes entre si. O sincretismo foi um dos modos que o povo negro encontrou para se proteger e poder cultuar seus Orixás.
Os “senhores” vendo seus escravos dançarem de acordo com os seus hábitos e cantarem nas suas próprias línguas, julgavam não haver ali senão divertimentos de negros nostálgicos. Na realidade, não desconfiavam que o que eles cantavam (...) eram preces e louvações a seus orixás, a seus vodun, a seus inkissi.
Quando precisam justificar o sentido dos seus cantos, os escravos declaravam que louvavam, nas suas línguas, os santos do paraíso [da igreja católica]. Na verdade, o que eles pediam era ajuda e proteção aos seus próprios deuses.
Não se pode afirmar que já se tratava de sincretismo entre os deuses da África, por um lado, e os santos católicos, por outro, pois, no século XVIII, as características das divindades africanas eram ainda desconhecidas dos senhores e do clero português, enquanto os escravos não podiam também conhecer os detalhes da vida dos santos.
As primeiras menções às religiões africanas no Brasil são (do ano) de 160, por ocasião das pesquisas do Santo Oficio da Inquisição, quando Sebastião Barreto denunciava o costume que tinham os negros, na Bahia, de matar animais, quando de luto... Para lavar-se no sangue, dizendo que a alma, então, deixava o corpo para subir ao céu.
(...) É difícil precisar o momento exato em que esse sincretismo se estabeleceu. Parece ter-se baseado, de maneira geral, sobre detalhes das estampas religiosas que poderiam lembrar certas características dos deuses africanos.(6)
Na “Santeria” cubana ou “La Regla Lucumí”, que funde crenças católicas com a religião tradicional africana, essa ligação de Orixás e Santos chega a se confundir, a ponto de os fiéis dizerem se tratar do mesmo Santo, tanto para a Santeria, como para a igreja católica. Nesse caso, Yemaya vem a ser a representação da "Virgem de la Regla" padroeira dos cubanos ou a Black Madonna, a Nossa Senhora negra homenageada em vários países.(7)
No Brasil, Iemanjá é cultuada de Norte a Sul, de formas diferentes. É importante o exemplo do Nordeste onde a religião dos Egbá, também chamada Nagô-Egbá, Xangô do Recife ou Xangô do Nordeste, tem como Orixá principal Iemanjá, por ser a mãe de Xangô, como patrono da nação.  Assim teve origem o Maracatu, onde a dança, executada com as Calungas tem caráter religioso e é obrigatória na porta das igrejas, representando um "agrado" a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito. Quando o Maracatu visita um terreiro homenageia os Orixás.
A associação que se faz de Iemanjá com Dona Janaína (branca), sereia de tantas lendas e histórias, tem origem nas mesmas referências da Bahia que deram origem às homenagens no dia 2 de fevereiro. Deve-se observar que o Orixá Iemanjá não tem qualquer referência com a volúpia das sereias das lendas européias ou mesmo com Iara (ou Mãe-D'água), figura mitológica difundida entre os indígenas. Sereias têm a origem nos mitos e lendas ocidentais cuja aparência nada tem a ver com Iemanjá cultuada em qualquer um dos países da Diáspora Africana.
Nos vários estados brasileiros, o dia 2 de fevereiro homenageia Nossa Senhora dos Navegantes (RS); Nossa Senhora da Candelária (madroeira de Indaiatuba – SP); Nossa Senhora das Candeias; Nossa Senhora da Luz; Nossa Senhora da Purificação;(8) Nossa Senhora d’Ajuda (Itaporanga – SE); Santa Maria Madalena (madroeira União dos Palmares – AL); Nossa Senhora do Bom Conselho (madroeira de Arapiraca - AL) e, possivelmente, ainda mais...
São conhecidas e concorridas as procissões e entregas de presentes a Iemanjá, em Salvador – BA, no bairro do Rio Vermelho(9); no Rio de Janeiro: o presente a Iemanjá da Casa de Cultura Estrela d´Oyá; o presente e a procissão organizada pela IRMAFRO (Irmandade de Cultura e Religiões Afro-Brasileira do Rio de Janeiro) em Sepetiba, bairro do Rio de Janeiro – RJ, desde 1994.
A procissão de Sepetiba, iniciada por Paulo de Oxossi, é, atualmente, coordenada por Pai Renato de Obaluayê. Mesmo antes de falecer, em 2003, Paulo de Oxossi havia passado a condução da IRMAFRO a Pai Renato de Obaluayê, que deu continuidade ao Presente e à Procissão em louvor a Iemanjá, com a colaboração de Babalorixás e Yalorixás (do Rio de Janeiro e de outras cidades), com reconhecido destaque para Mãe Miriam d´Oyá.
Ainda no Rio de Janeiro são conhecidas: a carreata até a Praia de Copacabana, por iniciativa do Mercadão de Madureira e a celebração do Barco de Iemanjá, por iniciativa da Congregação Espírita Umbandista do Brasil – CEUB.


Com a saudação a Iemanjá, “Odoyá”, que reafirma ser Ela a mãe, a senhora (Yá) do rio (Odo), as autoras desejam a cada um/a que vier a ler este texto, em qualquer tempo, a serenidade, a fartura e a sabedoria dos rios que não se intimidam diante de obstáculos.
__________
* Jurema Oliveira - também conhecida como Egbomi Jurema D'Oxum, por sua iniciação ao culto de religião de matriz africana – é da cidade de São Paulo (SP), onde nasceu, em 1948. Atuou na Umbanda por dez anos, após o que fez sua iniciação no Candomblé (1978). Na linha da ancestralidade, é filha do Babalorixá Adel de Logun Edé, neta de João da Oxum e bisneta de Vavá de Bessem. O falecimento de seu Babalorixá (1981) fez com que Jurema D´Oxum fizesse obrigação com a Iyalorixá Mãe Nitinha da Oxum, no Rio de Janeiro (1982) e OduIjê (1986). Desde 1989 os Orixás foram “morar” com Egbomi Jurema, em sua casa, em São Paulo. Como iniciada e formada, Egbomi Jurema faz todas as obrigações internamente e atende as pessoas com consultas de Jogo de Búzios. Desde 1996, vem se dedicando à pesquisa das religiões afro-brasileiras e da diáspora africana e atuando na divulgação desses conhecimentos através da Internet http://orixas.sites.uol.com.br/index1.html, http://pt.wikipedia.org/wiki/Candomble, dentre outros.
** Ana Maria Felippe – carioca; pós-graduada em Filosofia da Ciência (UFRJ), Coordenadora de Memorial Lélia Gonzalez e responsável pela seção “Afrodescendentes”, em “Cultura e Religião” de Amai-vos. Contato: anafelippe@leliagonzalez.org.br
__________
(1) Música “Dois de Fevereiro”, de Dorival Caymmi
(2) Antonietta de Aguiar Nunes. Historiógrafa do Arquivo Público do Estado e Professora Assistente de História da Educação na FACED/UFBa. Disponível em <http://www.faced.ufba.br/~dept02/calendario/yemanja.html> Acesso em: 31 jan. 2010.
(3) COUTO, Edilece S. (Universidade Federal da Bahia). Festejar os Santos em Salvador: Regras Eclesiásticas e Desobediências Leigas (1850-1930). Disponível em <http://www.uesb.br/anpuhba/artigos/anpuh_II/edilece_souza_couto.pdf> Acesso em: 31 jna. 2010.
(4) PESSOA DE BARROS, J. F. . O Banquete do Rei - Olubajé. Uma introdução à música sacra afro-brasileira. 1. ed. Rio de Janeiro: UERJ, INTERCON, 1999. 184 p.; p. 116
(5) VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Bahia: Corrupio, 2002. 295 p. Disponível em <http://www.scribd.com/doc/6898406/Pierre-Verger-Os-Orixas-pdf#> Acesso em: 31 jan. 2010. Para muito mais sobre Pierre Verger: http://www.pierreverger.org /
(6) idem, ibidem.
(7) Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Black_Madonna> Acesso em: 31 jan. 2010
(8) Para saber mais, vale visitar o conteúdo disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Luz> Acesso em: 31 jan. 2010
(9) Ao contrário do sincretismo, a festa do dia 2 de fevereiro dedicado à N. Sra. das Candeias, na liturgia católica, é a única grande festa religiosa baiana que não tem origem no catolicismo e sim no candomblé.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

476 - MEYER - LEBLON - ACENOURADO



476 – MEYER – ACENOURADO
Hoje  foi dia de ir  ao dentista no Leblon,  e toada vez na  volta para casa, pego o ônibus na Afrânio de Melo Franco, 55 – Leblon

 

Sempre fico receios, pois faz parada neste ponto o Ônibus 476 – MEYER -Leblon, (sem preconceito) – MEYER e descer um bando de Pivete de cabelos “ACENOURADO” se é que você me entende. Sempre fico apreensivo. Mas sempre acho que é implicância, Hoje tive a confirmação que não é só implicância. Estava  eu  no ponto de ônibus, esperando o que  eu iria embarcar (que não era o 476), Es que para o 476 – MEYER- Leblon no ponto do Ônibus e desce dele um bando formado por 7 “ACENOURAOS” , dois passaram pela  minha frente e o restante do bando por trás de , o da minha frente faz  sinal para o restante  do bando e me cercaram , o ônibus (476  MEYER) esta parado com a porta dianteira aberta, eles meteram a mão no meu cordão arranhando meu pescoço para arrancar o cordão de ouro (verdadeiro – hehehe ) do meu pescoço, num ímpeto ((Sinônimos:  arrebatamento   anagogia   arroubo   encantamento   enlevo   entusiasmo   excitação   êxtase   focagem   furor   ímpeto   incandescência   ira   raiva   rapto   rompante   transporte   arremesso   acometida   acometimento   ameaça   arremetida   arrojo   assalto   assomos   ataque   investida   jacto   lançadura ) me joguei dentro do ônibus ( 476 – MEYER – ACENOURADO ), eles retornaram para dentro do ônibus ( 476 – MEYER – ACENOURADO) onde eu estava, o motorista  com fone de ouvido, não ouvia o pedido do Cobrador para fechar a porta dos fundos, num ímpeto ( lindo isso NE) , arranquei o fone de ouvido do Motorista do ônibus ( 476 –MEYER ACENOURADO) , e mandei-oele fechar a porta, os ACENOURADOAS , me mandarameu descer do ônibus.. lógico não desci, ( não sabia que o ônibus -476 MEYER ACENOURADO) seria o meu refugio naquele momento. Os  ACENOURADOS  ficaram irados, desceram do COLETIVO, tentando quebrar o vidro da porta da frente para entrar, atirando pedras, ( Gente, tudo isso por  minha causa ...). Enfim o ônibus ( 476- MEYER ACENOURADO) , deu a partida, esperei entrar em outra  rua, e puxei o sinal , por receio de eles os ACENOURADO cercar o ônibus , pois ele circular.Não tive  condições de  apanhar outro ônibus, pois  se entrasse  qualquer  ACENOURADO ( mesmo sendo inocente) eu iria gritar e dar um surto, ai eu seria preso por descriminação e Bulling., entrei em um taxi, coloquei a mão em meu pescoço pos estava  arranhado, para minha  surpresa o cordão de ouro (VERDADEIRO) estava em pescoço inteiro . Foi só o susto.
De acordo com o motorista do ônibus, que pediu para não ser identificado, os assaltos na linha são uma rotina no retorno da praia durante o verão.
Obs:
Em seguida, o grupo quebrou a porta de trás do coletivo, saiu e passou a assaltar pedestre..

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

FOLIA DE REIS

FOLIA DE REIS
Depois de mundo tempo, esta  semana estava eu ,pela  manha, como um Lagarto tomando sol pela manha, pois acordei com dor  de dente, as 7 da manhã, e fui para o sol pois  a noite, fez um calor muito grande.Ao longe ouvi uma barulho de fanfarra, fuia até  ao portão, qual  a minha surpresa, vi uma  folia de reis, a muito tempo que  eu vão via. Na minha infancia ( meu Deus,  como faz tempo),quando  aparecia uma pelo bairro, nós crianças na   epoca, tinhamos  de sair  correndo para dentro de casa, pois falavam que eles(integrantes  do grupo) roubavam a s crianças  colocando dentro de sacos.
Ai que  saudades desses medos.
Mas vamos ao que interessa.
A folia pretende reproduzir a viagem dos Magos a Belém, ao encontro do Filho do Homem.
Os foliões partem à meia-noite, no Natal – quando os Magos
teriam recebido o misterioso aviso – e encerram a sua jornada no dia dos
Reis.
No Rio de Janeiro (RJ), estendem até o dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião.
Há, assim, duas fases da jornada. A primeira, a dos Reis, que
vai até o dia 6 de janeiro, assinala-se pela presença dos Magos na
bandeira, o estandarte da folia. A segunda, do sai 7 em diante, exige o
acréscimo de uma estampa de São Sebastião ao lado da dos Magos. Os
cânticos da folia são às vezes diversos em cada fase, aproveitando os
mestres, na primeira, os motivos bíblicos da Adoração, da Visita dos
Reis, da Fuga para o Egito etc., e na segunda, de acordo com a tradição
católica popular, tocada pelas concepções correntes nas macumbas
cariocas, os padecimentos de São Sebastião.
A folia apregoa o nascimento de Cristo e, teoricamente,
dirige-se a Belém, para adorar o Menino, mas os soldados de Herodes – os
palhaços – tentam desviá-la do caminho apontado pela Estrela do
Oriente.
Parece que, no interior, a folia passava todo o tempo da jornada
pelas estradas, cantando e folgando em casas amigas, em constante
peregrinação. Na região estudada, Estado do Rio, porém, as folias saem
apenas aos sábados, domingos e feriados, comparecendo os foliões,
normalmente, ao trabalho, nos demais dias do período.”
Trecho do livro FOLIA DE REIS, de Zaíde Maciel de Castro e Aracy do Prado Couto,
da coleção “Cadernos de Folclore”, editado pelo Ministério da Educação e
Cultura e pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) – 1977.

O reisado foi introduzido no
Brasil-Colônia pelos portugueses no século XIX. É um espetáculo popular
das festas de Natal e Reis, cuja ribalta é a praça pública, a rua, mas,
às vezes, pode ser apresentado em residências.
Folia de Reis, ou Reisado, ou ainda Terno-de-Reis, constitui um
dos mais originais folguedos folclóricos. É uma folia conhecida em Minas
Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, No
interior é uma dança do período natalino em comemoração ao nascimento do
Menino Jesus e dos Reis Magos Gaspar, Melchior e Baltazar, que levaram
ouro, incenso e mira, que representam as três dimensões de Cristo
(realeza, divindade e humanidade).
Esta festa tem origem primária na Festa do Sol Invencível,
comemorada pelps romanos e, depois, adotada pelos egípcios. A festa
romana era comemorada no dia 25 de dezembro (calendário gregoriano) e a
egípcia em 6 de janeiro. No século III ficou estabelecido que no dia 25
de dezembro se festejaria o nascimento de Cristo e, em 6 de janeiro, o
dia dos Reis.
A característica principal do reisado está no uso de muitos
adereços, tajes com cores quentes e chapéus ricamente enfeitados com
fitas coloridas e espelhinhos.
O reisado é composto de 4 a 6 mascarados que dão vida,
hilaridade e rebuliço à brincadeira. Eles também devem proteger o Menino
Jesus e confundir os soldados de Herodes. Acrobatas e declamadores,
representam os soldados perseguidores do Menino. O reisado tem ainda:
rei, mestre-sala, alferes, a burrinha, o boi, o Jaraquá, a arara, o
caipora, a ema, etc. Muitos outros personagens podem aparecer,
dependendo da região em que esta festa é realizada. Todos acompanham uma
bandeira, estandarte da folia, um quadrado de madeira com a Adoração
dos Magos, ornamentada com flores e espelhos, carregada pelo alferes.
Uma orquestra de violas, banjos, violões, zabumba, triângulo,
pandeiros, maracás e sanfonas pulsam na regularidade de um organismo.
Seus acordes servem de orientação as vozes e ordenam a evolução do
espetáculo. O tempo da toada é circular, um convite ao desprendimento
mundano e a busca de uma aliança com o divino. A paleta acorda o
cavaquinho para ressoar um som que deve agradar o ouvido dos santos. A
história narrada por intermédio de cantos são contadas por um solista e
um corro responde a ele uníssono por repetidas vezes. Os cânticos de
chegada e de despedida, são os mais belos da música folclórica
nordestina:
"Bateu asa e canto o galo
Meia-noite deu sinal
Acendeu mais ume vela
Hoje é noite da natal
etc.
Boa-noite, boa-noite
Boa-noite eu lhe desejo
Sou filho do Padre Eterno
Devoto da Mãe da Deus
Vinte e cinco de dezembro
Reza-se e ladainha
Pra tomar café com bolo
E comer arroz com galinha".

Todos os integrantes da Folia de
Reis, interpretam e contam suas histórias, tanto serpenteando as
estradas no interior, como as praças urbanas. Esta é uma expressão
máxima de religiosidade e devoção.
O bando de foliões ainda, na região rural, batem de porta em porta
brindando os amigos com sua energia e contagiante alegria, além do
espetáculo, é claro, que se constitui de uma peça teatral cantada, com
entremeios cômicos. Depois, os integrantes do reisado, em uma onda
desordenada, vão espraiando-se pelas ruas. Na desordem deste delirante
entusiasmo, vislumbra-se uma alegria carnavalesca. É um espetáculo
excitante!
GERENTE – Porta-voz e administrador da Companhia . Autoridade máxima ,
se responsabiliza pelo dinheiro arrecadado e presta contas do mesmo .
Pode ou não pertencer ao elemento coreográfico e musical da Folia .
MESTRE OU EMBAIXADOR (COM VIOLA)- É o cantador dos versos . Cantam a
história bíblica da visita dos Reis Magos à Gruta de Belém .
BANDEREIRO (ALFERES) – É aquele que leva a bandeira . Existe o titular ,
pois qualquer pessoa pode , eventualmente , exercer a função cumprindo
uma promessa ou devoção . A bandeira é o ícone da Fé dos foliões . O
bandereiro encabeça o cortejo e ninguém deverá ultrapassa-lo . Ele é a
autoridade espiritual e sempre é uma pessoa muito respeitada na
comunidade .
DOIS PALHAÇOS – São os guarda da Companhia As suas momices e caricaturas
têm a intenção representativa de desviar a atenção dos soldados do rei
Herodes da pessoa do Menino Jesus. Movimenta-se livremente , porém nunca
deverá passar a linha do bandereiro .
Joaquim Neves explica a presença dos palhaços na Folia de Reis: "Quando
os Reis viram e estrela, já estava anunciando que quando aparecesse a
estrela seria o nascimento de Cristo, então eles foram à procura do Rei
Messias. Chegando na Judéia foram encontrar com Herodes, a estrela
desapareceu. Conversando com Herodes, e perguntaram sobre o Menino, mas
ele disse que não sabia, que se achassem o Menino, que o avisassem que
ele iria visitá-lo. E para os Reis serem salvaguardados, mandou dois
soldados junto. Mas os soldados (era para matarem o Menino) não viram
nada, porque a estrela desapareceu. Depois, os Reis já guiados pelo anjo
resolveram voltar por outro caminho, e daí os soldados perceberam que
se voltassem para Herodes sem ter encontrado o Menino iam ser degolados;
então, viram que era melhor ir junto com os Reis, e seguiram com eles,
acreditando também em Jesus."
A presença dos palhaços portanto, tem fundo religioso, a conversão dos
soldados de Herodes, o que aliás é comum nas Folias de Reis de outras
regiões; entretanto, a despeito da conscientização do aspecto religioso,
sua participação na maioria das vezes é humorística ou pelo menos
alegre. E
Joaquim Neves acrescenta: "O palhaço é um pidão por excelência. Quando o
grupo chega numa casa, já vão os palhaços pedindo tudo: uma abóbora que
está guardada num canto, fósforos, réstia de alho, uma galinha…O dono
da casa, que não vai muito na lábia deles, em troca e também como
condição para atender os pedidos, pode exigir que os dois façam alguma
coisa, por exemplo, uma briga entre gato e cachorro, e assim começa o
divertimento dos palhaços. Em geral, os palhaços sabem cantar versos
humorísticos, chamados décimas."
Quanto ao Mestre ou Embaixador, tem origem no fato de que a primeira
parte de algumas cantorias é ele quem faz, em solo, sendo esses versos
iniciais chamados de "embaixada". Depois dessa inicial, "puxada" pelo
embaixador, o restante da cantoria é feito pelo contra-mestre e os
demais participantes (excetuando-se os que têm função apenas
instrumental), e a isso se diz "responder", completando assim a estrofe.
No final de cada estrofe, há um canto prolongado, feito pelo "quinta
voz" (que pode ser um menino, de voz aguda).

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

fizmeu lanche da noite.

Egg in a basket sem erro!

sdds
Adoro fazer Egg in a basket (o famoso pão de forma com ovo no centro). Mas no começo não ficava tão legal. Descobri que o jeito que eu gosto é com o ovo um pouco mais mole, e por isso uso 2 fatias de pão. Para quem gosta do ovo bem frito aconselho colocar somente em uma fatia de pão. E vamos lá, os segredos são antes de tudo usar uma boa frigideira antiaderente, colocar manteiga para não queimar o pão, quebrar o ovo em um recipiente antes de colocá-lo no pão e por último, apertar bem o pão com uma espátula, para que o ovo penetre bem no pão, e consequentemente fique bem fritinho.
É isso aí, receita besta, fácil e rapidinha, para tornar nosso pão com ovo mais interessante :)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

IPETÉ 2013







IPETE D'OXUM

Ilê Axé Kare Eleye,
na pessoa do Babalorisá Jorge D´Kare, e seus filhos
tem o prazer de convida-lo para o IPETÉ,
a ser realizado no dia 14/12/2013 – Sábado  apartir dar 18:00 hs
em sua sede. Rua Musico Luis Adilson Porfirio/10 - Divisa - Santa Eugenia - Nova Iguaçu - RJ - 2767-7304
Olorum Modupé
Ipété de Oxum ou Peté de Oxum é o nome da comida de Oxum, e foi adotado o mesmo nome para a festa que se faz à Oxum anualmente em muitas casas de Candomblé, em todo Brasil.
Em minha casa de Santo ( Ile Axé Kare Eleyer) esta festa marca o encerramento das festas do ano. Há muita comidas, além de outras iguarias, que são distribuídas a todos que comparecem.

Além daquelas que são feitas para as obrigações dos Orixas e que serão também divididas entre os presentes, que são o adun (fubá de milho com azeite de dendê e açucar), o ekó (milho branco ralado e cozido, uma espécie de canjica, mais conhecido pelo nome de Acaça), o ixu (inhame), o aluá e o próprio peté.
Todos trabalham com afinco, cada um com seu trabalho: quem é de cozinhar, cozinha; quem é de fazer bandeiras, faz bandeiras; quem é de fazer surpresas, faz surpresas.

O Filhos de Santo, acompanhado dos Ogans e Ekedes da casa, organiza a arrumação do Barração, colocando bandeirinhas,Mariwôs, e folhas que servem de ornamentação, se enfeita o barracão sempre que há festa. Arruma mariôs também em todas as portas de todas as casas para livrar a todos de aproximação e irradiação de maléficos.
Depois começa o Xirê, com a dança da Oxum velha. Só quando ela volta a sentar-se é que todas as outras começam a dançar. E assim a festa se prolonga, quando é encerrada com a roda de praxe, saudando Oxalá, pedindo paz, saúde e tranquilidade de espírito a todos do Axé, adeptos e convidados para que no próximo ano estejam todos novamente reunidos para as homenagens aos Orixas.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Preconceito Infantil



Preconceito Infantil
 
"Estou comendo o Luís, estou comendo o Luís!" O pequeno Luís*, de cinco anos, ouvia a frase todas as vezes em que um coleguinha se deliciava com um chocolate. Negro, o garoto era associado à guloseima. Não bastasse a piada sem graça, Luís era rejeitado pelos grupinhos de sua classe. Na hora das brincadeiras, não era chamado pela turma e ficava sozinho em um canto. O caso aconteceu em um colégio de Campo Grande (MS).
Na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, Juliana*, hoje com dez anos, desde pequena implica quando sua babá, obesa, senta em sua cama. "Tira essa bunda gorda daí." Ela também não perdoa o fato de a moça, que trabalha na casa desde que a menina nasceu, dizer algumas palavras erradas. "Não é 'questã', é 'questão'." A babá tenta contemporizar: "É que eu me esqueço". Juliana não se comove: "Não, é que você é burra".
É mais comum do que se pensa. Crianças, mesmo as mais novas, demonstram preconceito e dificuldade para aceitar as diferenças. Além do racismo, é vítima comum da sinceridade cruel da meninada qualquer um que apresente uma característica "estranha" ao seu mundo, como gordinhos ("baleia" e "saco de areia"), os que usam óculos ("quatro-olhos") e os baixinhos ("tampinhas"). Sem falar de portadores de deficiência, gagos, tímidos etc. etc.
Nos Estados Unidos, o preconceito na infância mobiliza pesquisadores e é tema de inúmeras pesquisas. No Brasil, é raro um estudo voltado à intolerância entre os pequenos, apesar de casos como o de Luís e de Juliana serem freqüentes, segundo pais, psicólogos, pediatras e professores entrevistados pela Revista.
Calcula-se que até os seis anos de idade quase metade das crianças já teve atitudes preconceituosas, de acordo com a Anti-Defamation League (liga antidifamação), organização sem fins lucrativos dos EUA.
A pedagoga Lucimar Rosa Dias -ligada a uma ONG que combate o racismo nas escolas e foi chamada a desenvolver um trabalho com a turma de Luís- ouviu de crianças em idade pré-escolar, ou seja, de até cinco anos, construções como "preto é feio", "preto tem sangue diferente", "negro é sujo", "cabelo bombril" e "cabelo assolan".
É assustador o repertório racista de meninos e meninas de seis a nove anos observados pela socióloga Rita Fazzi, na pesquisa que realizou para seu doutorado. Na hora da briga, crianças são capazes de xingar colegas de "carvão", "macaco", "tição", "branquelo" e "leite azedo".
Professora da PUC de Minas Gerais, Rita pesquisou crianças em escolas públicas de bairros de diferentes classes sociais em Belo Horizonte e transformou sua tese no livro "O Drama Racial de Crianças Brasileiras" (editora Autêntica), que mostra que o racismo se manifesta freqüentemente no ambiente escolar.
A questão que mobiliza pais e professores é: como aqueles a quem costumamos encarar como anjinhos sem maldade podem de repente usar termos tão monstruosos? Por que o preconceito aparece mesmo quando pais e mães não são preconceituosos?
É o caso da dona-de-casa Marina*, 26. Seu filho, Gustavo*, não tinha nem três anos quando saiu com esta: "Mãe, por que o Henrique é preto? Eu posso brincar com ele?"
Ele estava diante de seu primo, que tem a mesma idade e é negro. Marina, seu marido e o filho são morenos. Além de ter parentes negros, Gustavo mora em Arthur Alvim, bairro da periferia da zona leste de São Paulo, e convive com toda a riqueza da miscigenação brasileira.
"Eu e meu marido não temos preconceito, e o Gustavo sempre se relacionou com negros. Não sei por que teve essa dúvida. Na hora, respondi: 'Claro que você pode brincar com ele. As pessoas, independentemente da cor, são boas'", diz Marina.

--------------------------------------------------------------------------------
Como aqueles a quem costumamos encarar como anjinhos sem maldade
podem de repente usar termos tão monstruosos? Por que o preconceito
aparece mesmo quando pais e mães não são preconceituosos?
--------------------------------------------------------------------------------
De onde veio isso?
Estudos apontam que as crianças adquirem consciência das diferenças raciais, em média, dos três aos cinco anos, e, com o tempo, passam a atribuir julgamentos aos diferentes grupos, com base na observação do meio em que vivem.

Portanto, é provável que qualquer pai passe por situações semelhantes à enfrentada pela mãe de Gustavo. E, não raro, será um momento de saia justa, uma vez que, quanto mais nova a criança, maior a dificuldade de contê-la. "Ela ainda não tem maturidade para saber o que é adequado ou não. Isso irá se firmar com o passar dos anos e, por volta da adolescência, ela será mais capaz de controlar o que deve ou não dizer e fazer. A espontaneidade infantil existe para o bem e para o mal", diz o psiquiatra Fernando Ramos, do Rio de Janeiro, membro do Departamento de Infância e Adolescência da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.
Ele e outros estudiosos defendem a idéia de que o preconceito é sempre aprendido, dentro ou fora da família. Pode ser na escola, na vizinhança, na televisão. Por isso, ainda que os pais não sejam -ou não se vejam como- preconceituosos, seus filhos podem surpreendê-los com ofensas e xingamentos a alguém que apresente alguma diferença. "É normal que, de forma crescente, a criança seja influenciada por outras relações sociais que não a família. Pode ser que tenha pais abertos, mas absorva o preconceito de colegas na escola, filhos de pais preconceituosos. A gente vive em um mundo onde o preconceito ainda domina", aponta Ramos.
Um prédio de classe média da Vila Mariana (zona sul de São Paulo) foi palco de um típico caso em que as crianças foram influenciadas pelo preconceito dos adultos. Letícia*, dez anos, filha de uma lésbica, foi morar no apartamento da namorada da mãe nesse edifício. Boa parte dos vizinhos proibiu seus filhos de brincar com ela, e alguns chegaram a determinar às crianças que nem cumprimentassem a garota. Resultado: Letícia fica isolada e é chamada de sapatão pelo grupinho. A consultora de RH Rosa*, 54, é uma das poucas que deixam a filha, Luana, de dez anos, brincar com Letícia. "Não acho certo a menina ser isolada só porque é filha de uma lésbica."
Juliana, a garota que xinga a babá de "burra" quando ela diz algo errado, encontra eco na mãe, a pedagoga Fátima*, 38. "Por um lado, é até melhor ela corrigir do que a gente ter de fazer isso, né? Mas eu digo para ela que tem de respeitar as diferenças."
Às vezes, a pureza infantil consegue persistir apesar do preconceito dos pais, como é o caso de Luísa*, 7, que é branca e tem como melhor amiga Tainá*, negra. "A amiguinha dela tem um 'tom de pele diferente' [esfrega os dedos da mão na pele do braço]. Eu fico meio assim, sei lá [franze o nariz], achando que os pais dela podem ter idéias diferentes das minhas. Mas a Luísa não tem problemas com a Tainá", afirma a funcionária pública Márcia*, 41, moradora da Aclimação, bairro de classe média alta de São Paulo. Luísa diz à Revista que a amiga é "bonita e legal". "Viu?!", intervém a mãe.
O preconceito pode ser transmitido de forma sutil, como lembra o pediatra de Porto Alegre Ricardo Halpern, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria. "Mãe e filha estão de mãos dadas, por exemplo, e, ao cruzarem um homem negro, a mão da criança é apertada com um pouco mais de força. Outra situação: pai ou mãe se encontram com uma pessoa branca e outra negra. Beijam a primeira e não a segunda. É o suficiente para que a antena parabólica da criança capte os sinais."
Fora isso, não passa despercebido pelas crianças o fato de negros normalmente ocuparem profissões subvalorizadas, de as bonecas mais badaladas e as princesas dos contos de fada serem loiras e de olhos azuis e de todas as modelos famosas serem magérrimas.
Parte natural do crescimento
Mas não é unânime a idéia de que o preconceito na infância esteja necessária e exclusivamente ligado a um exemplo negativo dentro ou fora de casa. Uma linha da psicanálise (kleiniana) relaciona atitudes preconceituosas nos pequenos com estruturas emocionais inatas, como o medo, a agressividade e a incapacidade de elaborar um conceito. O preconceito é visto como parte do crescimento e só irá permanecer se encontrar eco no universo da criança. Numa elaboração mais filosófica, o preconceito na sociedade poderia ser considerado algo infantil, como se fosse uma criança não trabalhada.

"A criança pequena está inundada por novos estímulos e sensações que desconhece. Vive momentos de angústia e pode colocar isso para fora com um xingamento ou um palavrão, que escutou de um adulto. Seu mundo interno é formado por idas e vindas, e a personalidade vai se formando", explica a psicanalista infantil Anne Lise Silveira Scappaticci, pesquisadora da Unifesp.
Segundo ela, uma atitude preconceituosa na infância também pode estar ligada à descoberta dos limites. "Quando uma criança de três, quatro anos diz que a babá é preta e feia, ela também quer ver a reação dos pais e da própria babá. É um teste de limites, uma busca para saber o que é certo e errado."
--------------------------------------------------------------------------------
Calcula-se que até os seis anos de idade quase metade
das crianças já teve atitudes preconceituosas, de acordo
com a Anti-Defamation League (liga antidifamação), dos EUA
--------------------------------------------------------------------------------
Como agir?
Como tudo relacionado à educação dos filhos, não há uma receita pronta para pais que enfrentam uma situação de preconceito com suas crianças, sendo elas vítimas ou agressoras.

Muitas vezes, um incidente presenciado pelos pais ou professores é só a ponta do iceberg. Diante da complexidade do assunto, é preciso tentar entender ao máximo o que se passa na cabecinha dos filhos. "Partir direto para uma censura forte pode não ser a solução, porque a criança se intimida, e os pais não conseguirão saber o que ela está pensando. É importante chamar para uma conversa e investigar que questões a levaram a ofender a outra pessoa. Deve-se olhar o fato de forma ampla", sugere o psiquiatra infantil Fernando Ramos.
Foi o que fizeram educadores de duas escolas de São Paulo, em que alunos sofriam em razão do preconceito. No Santo Américo, no Morumbi (zona sul de SP), onde a mensalidade gira em torno de R$ 2.000, Lucas*, 11, chegou chorando à sala do coordenador pedagógico, Cesar Pazinatto. Gordinho, contou que não havia sido escolhido pelos colegas para nenhuma equipe que disputaria as olimpíadas da escola. Segundo Pazinatto, o remédio não era o que parece óbvio: dar uma dura na turma por preconceito contra a obesidade. "Na defensiva, o Lucas acaba muitas vezes sendo agressivo com os colegas. Portanto, disse a ele que, claro, os meninos não estavam certos e que eu iria chamá-los para conversar, mas que deveríamos aproveitar para refletir sobre sua agressividade com os demais."
Na EMEF Chiquinha Rodrigues, escola municipal do Campo Belo (zona sul de SP), a mãe de uma aluna chegou chorando na sala da diretora Márcia Quintino Costa. Ex-presidiária por tráfico de drogas, ela passou a recolher papelão com uma carroça e reclamava que os colegas da filha, Gabriela*, 9, caçoavam da menina, chamando-a de carroceira. Depois de uma análise do caso, chegou-se à conclusão de que a própria menina se sentia incomodada com a nova função da mãe, até porque era obrigada a trabalhar com ela. Nesse caso, a solução também não se resumia a puxar a orelha da classe.
"Bullying"
Muitas escolas hoje, a exemplo do Santo Américo, debatem com os alunos a questão do "bullying", prática repetitiva de preconceito contra uma determinada criança. "É preciso estar muito atento porque, muitas vezes, os xingamentos são velados e acontecem longe dos olhos dos educadores. Isso sem falar do 'bullying' praticado em sites de relacionamento, como o Orkut", lembra o coordenador pedagógico Cesar Pazinatto.

O preconceito entre crianças tem um forte potencial destrutivo para as vítimas, e pais e professores devem agir, segundo o pediatra Halpern. "As crianças podem se sentir segregadas, ter seus potenciais reduzidos e sérios problemas de auto-estima. A omissão de pais e professores pode reforçar o preconceito no grupo", acredita Halpern.
E nem sempre as vítimas chegarão em casa chorando e contando aos pais de que forma foram ofendidas. "Diante de uma intimidação, elas podem se calar. Por isso, os pais devem estar atentos a alterações emocionais e de comportamento", diz o psiquiatra Fernando Ramos.
Com os ofensores, é bom ser compreensivo, o que não significa permissivo, conforme ressalta a psicanalista Anne Lise Scappaticci. "Compreender não quer dizer deixar para lá, mas acolher aquela angústia e ensinar a criança a pensar sobre aquilo." E, que fique claro: mandar pedir desculpas nunca é demais.
"Estou comendo o Luís, estou comendo o Luís!" O pequeno Luís*, de cinco anos, ouvia a frase todas as vezes em que um coleguinha se deliciava com um chocolate. Negro, o garoto era associado à guloseima. Não bastasse a piada sem graça, Luís era rejeitado pelos grupinhos de sua classe. Na hora das brincadeiras, não era chamado pela turma e ficava sozinho em um canto. O caso aconteceu em um colégio de Campo Grande (MS).
Na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, Juliana*, hoje com dez anos, desde pequena implica quando sua babá, obesa, senta em sua cama. "Tira essa bunda gorda daí." Ela também não perdoa o fato de a moça, que trabalha na casa desde que a menina nasceu, dizer algumas palavras erradas. "Não é 'questã', é 'questão'." A babá tenta contemporizar: "É que eu me esqueço". Juliana não se comove: "Não, é que você é burra".
É mais comum do que se pensa. Crianças, mesmo as mais novas, demonstram preconceito e dificuldade para aceitar as diferenças. Além do racismo, é vítima comum da sinceridade cruel da meninada qualquer um que apresente uma característica "estranha" ao seu mundo, como gordinhos ("baleia" e "saco de areia"), os que usam óculos ("quatro-olhos") e os baixinhos ("tampinhas"). Sem falar de portadores de deficiência, gagos, tímidos etc. etc.
Nos Estados Unidos, o preconceito na infância mobiliza pesquisadores e é tema de inúmeras pesquisas. No Brasil, é raro um estudo voltado à intolerância entre os pequenos, apesar de casos como o de Luís e de Juliana serem freqüentes, segundo pais, psicólogos, pediatras e professores entrevistados pela Revista.
Calcula-se que até os seis anos de idade quase metade das crianças já teve atitudes preconceituosas, de acordo com a Anti-Defamation League (liga antidifamação), organização sem fins lucrativos dos EUA.
A pedagoga Lucimar Rosa Dias -ligada a uma ONG que combate o racismo nas escolas e foi chamada a desenvolver um trabalho com a turma de Luís- ouviu de crianças em idade pré-escolar, ou seja, de até cinco anos, construções como "preto é feio", "preto tem sangue diferente", "negro é sujo", "cabelo bombril" e "cabelo assolan".
É assustador o repertório racista de meninos e meninas de seis a nove anos observados pela socióloga Rita Fazzi, na pesquisa que realizou para seu doutorado. Na hora da briga, crianças são capazes de xingar colegas de "carvão", "macaco", "tição", "branquelo" e "leite azedo".
Professora da PUC de Minas Gerais, Rita pesquisou crianças em escolas públicas de bairros de diferentes classes sociais em Belo Horizonte e transformou sua tese no livro "O Drama Racial de Crianças Brasileiras" (editora Autêntica), que mostra que o racismo se manifesta freqüentemente no ambiente escolar.
A questão que mobiliza pais e professores é: como aqueles a quem costumamos encarar como anjinhos sem maldade podem de repente usar termos tão monstruosos? Por que o preconceito aparece mesmo quando pais e mães não são preconceituosos?
É o caso da dona-de-casa Marina*, 26. Seu filho, Gustavo*, não tinha nem três anos quando saiu com esta: "Mãe, por que o Henrique é preto? Eu posso brincar com ele?"
Ele estava diante de seu primo, que tem a mesma idade e é negro. Marina, seu marido e o filho são morenos. Além de ter parentes negros, Gustavo mora em Arthur Alvim, bairro da periferia da zona leste de São Paulo, e convive com toda a riqueza da miscigenação brasileira.
"Eu e meu marido não temos preconceito, e o Gustavo sempre se relacionou com negros. Não sei por que teve essa dúvida. Na hora, respondi: 'Claro que você pode brincar com ele. As pessoas, independentemente da cor, são boas'", diz Marina.

--------------------------------------------------------------------------------
Como aqueles a quem costumamos encarar como anjinhos sem maldade
podem de repente usar termos tão monstruosos? Por que o preconceito
aparece mesmo quando pais e mães não são preconceituosos?
--------------------------------------------------------------------------------
De onde veio isso?
Estudos apontam que as crianças adquirem consciência das diferenças raciais, em média, dos três aos cinco anos, e, com o tempo, passam a atribuir julgamentos aos diferentes grupos, com base na observação do meio em que vivem.

Portanto, é provável que qualquer pai passe por situações semelhantes à enfrentada pela mãe de Gustavo. E, não raro, será um momento de saia justa, uma vez que, quanto mais nova a criança, maior a dificuldade de contê-la. "Ela ainda não tem maturidade para saber o que é adequado ou não. Isso irá se firmar com o passar dos anos e, por volta da adolescência, ela será mais capaz de controlar o que deve ou não dizer e fazer. A espontaneidade infantil existe para o bem e para o mal", diz o psiquiatra Fernando Ramos, do Rio de Janeiro, membro do Departamento de Infância e Adolescência da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.
Ele e outros estudiosos defendem a idéia de que o preconceito é sempre aprendido, dentro ou fora da família. Pode ser na escola, na vizinhança, na televisão. Por isso, ainda que os pais não sejam -ou não se vejam como- preconceituosos, seus filhos podem surpreendê-los com ofensas e xingamentos a alguém que apresente alguma diferença. "É normal que, de forma crescente, a criança seja influenciada por outras relações sociais que não a família. Pode ser que tenha pais abertos, mas absorva o preconceito de colegas na escola, filhos de pais preconceituosos. A gente vive em um mundo onde o preconceito ainda domina", aponta Ramos.
Um prédio de classe média da Vila Mariana (zona sul de São Paulo) foi palco de um típico caso em que as crianças foram influenciadas pelo preconceito dos adultos. Letícia*, dez anos, filha de uma lésbica, foi morar no apartamento da namorada da mãe nesse edifício. Boa parte dos vizinhos proibiu seus filhos de brincar com ela, e alguns chegaram a determinar às crianças que nem cumprimentassem a garota. Resultado: Letícia fica isolada e é chamada de sapatão pelo grupinho. A consultora de RH Rosa*, 54, é uma das poucas que deixam a filha, Luana, de dez anos, brincar com Letícia. "Não acho certo a menina ser isolada só porque é filha de uma lésbica."
Juliana, a garota que xinga a babá de "burra" quando ela diz algo errado, encontra eco na mãe, a pedagoga Fátima*, 38. "Por um lado, é até melhor ela corrigir do que a gente ter de fazer isso, né? Mas eu digo para ela que tem de respeitar as diferenças."
Às vezes, a pureza infantil consegue persistir apesar do preconceito dos pais, como é o caso de Luísa*, 7, que é branca e tem como melhor amiga Tainá*, negra. "A amiguinha dela tem um 'tom de pele diferente' [esfrega os dedos da mão na pele do braço]. Eu fico meio assim, sei lá [franze o nariz], achando que os pais dela podem ter idéias diferentes das minhas. Mas a Luísa não tem problemas com a Tainá", afirma a funcionária pública Márcia*, 41, moradora da Aclimação, bairro de classe média alta de São Paulo. Luísa diz à Revista que a amiga é "bonita e legal". "Viu?!", intervém a mãe.
O preconceito pode ser transmitido de forma sutil, como lembra o pediatra de Porto Alegre Ricardo Halpern, presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade Brasileira de Pediatria. "Mãe e filha estão de mãos dadas, por exemplo, e, ao cruzarem um homem negro, a mão da criança é apertada com um pouco mais de força. Outra situação: pai ou mãe se encontram com uma pessoa branca e outra negra. Beijam a primeira e não a segunda. É o suficiente para que a antena parabólica da criança capte os sinais."
Fora isso, não passa despercebido pelas crianças o fato de negros normalmente ocuparem profissões subvalorizadas, de as bonecas mais badaladas e as princesas dos contos de fada serem loiras e de olhos azuis e de todas as modelos famosas serem magérrimas.
Parte natural do crescimento
Mas não é unânime a idéia de que o preconceito na infância esteja necessária e exclusivamente ligado a um exemplo negativo dentro ou fora de casa. Uma linha da psicanálise (kleiniana) relaciona atitudes preconceituosas nos pequenos com estruturas emocionais inatas, como o medo, a agressividade e a incapacidade de elaborar um conceito. O preconceito é visto como parte do crescimento e só irá permanecer se encontrar eco no universo da criança. Numa elaboração mais filosófica, o preconceito na sociedade poderia ser considerado algo infantil, como se fosse uma criança não trabalhada.

"A criança pequena está inundada por novos estímulos e sensações que desconhece. Vive momentos de angústia e pode colocar isso para fora com um xingamento ou um palavrão, que escutou de um adulto. Seu mundo interno é formado por idas e vindas, e a personalidade vai se formando", explica a psicanalista infantil Anne Lise Silveira Scappaticci, pesquisadora da Unifesp.
Segundo ela, uma atitude preconceituosa na infância também pode estar ligada à descoberta dos limites. "Quando uma criança de três, quatro anos diz que a babá é preta e feia, ela também quer ver a reação dos pais e da própria babá. É um teste de limites, uma busca para saber o que é certo e errado."
--------------------------------------------------------------------------------
Calcula-se que até os seis anos de idade quase metade
das crianças já teve atitudes preconceituosas, de acordo
com a Anti-Defamation League (liga antidifamação), dos EUA
--------------------------------------------------------------------------------
Como agir?
Como tudo relacionado à educação dos filhos, não há uma receita pronta para pais que enfrentam uma situação de preconceito com suas crianças, sendo elas vítimas ou agressoras.

Muitas vezes, um incidente presenciado pelos pais ou professores é só a ponta do iceberg. Diante da complexidade do assunto, é preciso tentar entender ao máximo o que se passa na cabecinha dos filhos. "Partir direto para uma censura forte pode não ser a solução, porque a criança se intimida, e os pais não conseguirão saber o que ela está pensando. É importante chamar para uma conversa e investigar que questões a levaram a ofender a outra pessoa. Deve-se olhar o fato de forma ampla", sugere o psiquiatra infantil Fernando Ramos.
Foi o que fizeram educadores de duas escolas de São Paulo, em que alunos sofriam em razão do preconceito. No Santo Américo, no Morumbi (zona sul de SP), onde a mensalidade gira em torno de R$ 2.000, Lucas*, 11, chegou chorando à sala do coordenador pedagógico, Cesar Pazinatto. Gordinho, contou que não havia sido escolhido pelos colegas para nenhuma equipe que disputaria as olimpíadas da escola. Segundo Pazinatto, o remédio não era o que parece óbvio: dar uma dura na turma por preconceito contra a obesidade. "Na defensiva, o Lucas acaba muitas vezes sendo agressivo com os colegas. Portanto, disse a ele que, claro, os meninos não estavam certos e que eu iria chamá-los para conversar, mas que deveríamos aproveitar para refletir sobre sua agressividade com os demais."
Na EMEF Chiquinha Rodrigues, escola municipal do Campo Belo (zona sul de SP), a mãe de uma aluna chegou chorando na sala da diretora Márcia Quintino Costa. Ex-presidiária por tráfico de drogas, ela passou a recolher papelão com uma carroça e reclamava que os colegas da filha, Gabriela*, 9, caçoavam da menina, chamando-a de carroceira. Depois de uma análise do caso, chegou-se à conclusão de que a própria menina se sentia incomodada com a nova função da mãe, até porque era obrigada a trabalhar com ela. Nesse caso, a solução também não se resumia a puxar a orelha da classe.
"Bullying"
Muitas escolas hoje, a exemplo do Santo Américo, debatem com os alunos a questão do "bullying", prática repetitiva de preconceito contra uma determinada criança. "É preciso estar muito atento porque, muitas vezes, os xingamentos são velados e acontecem longe dos olhos dos educadores. Isso sem falar do 'bullying' praticado em sites de relacionamento, como o Orkut", lembra o coordenador pedagógico Cesar Pazinatto.

O preconceito entre crianças tem um forte potencial destrutivo para as vítimas, e pais e professores devem agir, segundo o pediatra Halpern. "As crianças podem se sentir segregadas, ter seus potenciais reduzidos e sérios problemas de auto-estima. A omissão de pais e professores pode reforçar o preconceito no grupo", acredita Halpern.
E nem sempre as vítimas chegarão em casa chorando e contando aos pais de que forma foram ofendidas. "Diante de uma intimidação, elas podem se calar. Por isso, os pais devem estar atentos a alterações emocionais e de comportamento", diz o psiquiatra Fernando Ramos.
Com os ofensores, é bom ser compreensivo, o que não significa permissivo, conforme ressalta a psicanalista Anne Lise Scappaticci. "Compreender não quer dizer deixar para lá, mas acolher aquela angústia e ensinar a criança a pensar sobre aquilo." E, que fique claro: mandar pedir desculpas nunca é demais.


Como a própria definição expõe, “preconceito” é uma idéia preconcebida, “opinião não justificada, de um indivíduo ou grupo, favorável ou desfavorável, e que leva a atuar de acordo com esta definição” (Enciclopédia Internacional de Ciências Sociais, 1995).

É impossível um ambiente de paz e união na sala de aula quando existe o preconceito, pois este ocasiona a discriminação, o tratamento desigual e desfavorável a respeito de um indivíduo ou de um grupo.

Uma criança se sente discriminada pela cor da pele, pelo cabelo, pelas roupas que usa ou pelo brinquedo que gosta, simplesmente porque alguém riu ou fez brincadeiras maldosas a respeito de seu estereótipo ou de seus gostos pessoais.
Por este motivo, o preconceito deve ser trabalhado desde os primeiros anos da criança.

A maioria das crianças tem uma visão preconceituosa por ação de uma declaração ou comentário feita por um adulto. É importante ter atenção ao que se fala diante de um infante, pois o mesmo internaliza e toma como verdadeiros os conceitos dos seus pais, professores, tios, pois é quem dá exemplos de ações para o pequeno.

Na escola há várias sugestões de brincadeiras e inserções pedagógicas diárias que podem ser feitas para trabalhar o respeito à diversidade.

O professor pode contar histórias que apresentam personagens negros ou índios; fazer teatrinho de fantoches com bonecos de origem chinesa, africana, européia; colocar nomes originários de outros países nas personagens; promover uma aula sobre a cultura dos países ou de uma determinada raça; ver vídeos sobre outras culturas e raças.

Além disso, os alunos podem confeccionar bonecos negros, brancos, asiáticos na aula de artes. O educador pode ainda propor uma aula de culinária africana, por exemplo.
Há ainda outras formas de arte a serem exploradas além da confecção de bonecos: a música e os desenhos. Dançar uma música de outro país e expressar a visão de uma determinada cultura através de um desenho são formas de valorizar a identidade de cada um.

Outra sugestão é promover o abraço e o toque amigável em sala. O carinho vai aproximar os alunos e o toque vai despertar na criança a percepção de que nem todos são iguais, mas devem ser tratados igualmente.

È importante que o toque não ultrapasse a região da face, já que esta fase também é de descobertas e a criança pode querer ir além do limite estabelecido. Assim, ao tocar o cabelo, o nariz ou os olhos do colega, o infante perceberá que a diferença entre as pessoas é comum e não internalizará os conceitos discriminatórios existentes na sociedade.

Formando crianças livres de preconceitos
Dinâmicas para os primeiros anos do Ensino Fundamental
Editorial
As crianças não são naturalmente preconceituosas. Elas aprendem a ser com os adultos. Aproveite essa fase essencial da vida de todo ser humano, que é a infância, e valorize sentimentos e valores positivos que esses pequenos e especiais seres trazem em si.

Sugiro duas formas de iniciar o projeto: uma para alunos que ainda não dominam a escrita e outra para alunos com domínio da escrita.

Realizando o projeto com crianças da Educação Infantil e dos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental, pode-se começar a trabalhar o tema fazendo uma dinâmica.

1- Dinâmica das flores: leve flores de diferentes cores e formas para a classe e deixe que cada aluno escolha uma. Depois, pergunte o que chamou a atenção deles para escolher aquela flor. Peça-lhes que percebam as diferentes cores, o perfume, a textura, as diferentes formas. Chame sua atenção para o fato de as flores serem diferentes e nem por isso menos belas e apreciadas. Em seguida, peça que olhem uns para os outros. Assim como as flores, cada um é diferente, mas não menos importante. Muitas coisas variam: cor e tipo de cabelo, formato e cor dos olhos, tamanho do nariz, altura, cor da pele, etc.

2- Dinâmica das cores: leve um aparelho de som para a classe e coloque uma música suave. Espalhe vários lápis ou gizes de cera de várias cores sobre a mesa e peça para as crianças escolherem a cor que mais lhes agrada. Haverá cores iguais e cores diferentes. Converse com elas sobre como seria o mundo se tudo fosse de uma só cor — azul, por exemplo. E se tudo fosse amarelo? Ou vermelho? Será que elas comeriam uma banana azul? Ou um morango cinza? Sim? Não? Por quê? Pode-se debater se é bom haver cores diferentes e o porquê.

Depois, peça que olhem uns para os outros. Assim como as cores, cada um é diferente. Muitas coisas variam: cor e tipo de cabelo, formato e cor dos olhos, tamanho do nariz, altura, cor da pele. Pergunte que cor de lápis ou giz é mais parecido com a cor da pele de cada um. (Caso algum aluno diga que sua cor é “feia”, procure fazê-lo se sentir valorizado. Esse momento será propício para melhorar a autoestima dessa criança.)

Dinâmicas para os Próximos Anos do Ensino Fundamental

Começando com jovens do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, o projeto é,basicamente, trocar ideias, debater e discutir para se chegar a uma mudança de atitude.

1- Discutindo preconceito de gênero/sexismo

2- Discutindo as diferenças (porte de deficiência, obesidade, etc.)

3- Discutindo preconceito racial e étnico


1- Discutindo preconceito de gênero/sexismo


Questione os alunos: “Menino brinca de boneca?”. Peça, previamente, aos alunos para trazerem, de casa, figuras de diversosprofissionais.
Sente-se em roda com eles e analise as figuras.
Que profissões são mais retratadas? Essas profissões estão mais ligadas a homens ou a mulheres? Há profissões predominantemente masculinas ou femininas? Por quê? Faça cartazes com frases comumente ouvidas, como, por exemplo: “Menino não chora”, “Esta brincadeira não é para meninas”, “Menino não usa cor-de-rosa”, “Menina é mais frágil que menino”, “Menina não senta de perna aberta”, “Menino não deve dançar balé”, etc. Mostre os cartazes aos alunos e pergunte que outras frases eles já ouviram.
Questione por que dizem que meninos e meninas não podem fazer tais coisas. Quem determinou isso? Se possível, traga gravuras que mostrem o contrário do que está escrito nos cartazes. Peça que as crianças levem histórias em quadrinhos para a sala de aula (Turma da Mônica, Walt Disney, etc.).
Leia as histórias com eles e chame sua atenção para o papel que é reservado às meninas (São sempre as fofoqueiras? São choronas? São consideradas frágeis?).
E os meninos, como são retratados (ativos, líderes, espertos)? Leia com eles alguns contos de fadas e analise o papel das mulheres (princesas esperando serem salvas, cuja realização é casar e ser feliz para sempre).

Peça-lhes que reescrevam um conto de fadas, invertendo os papéis masculinos e femininos. Se possível, dramatize o novo conto de fadas com a inversão de papéis.

2- Discutindo as diferenças (porte de deficiência, obesidade, etc.)


Alunos portadores de deficiência (física ou mental), alunos obesos, de baixa estatura ou que usam óculos, enfim, que possuem características físicas que chamam a atenção, também costumam sofrer algum tipo de discriminação e, comumente, são alvo de piadas e comentários geralmente ofensivos por parte dos colegas e de alguns adultos. Veja, abaixo, algumas atividades para trabalhar esse tema:

• Montar um mural com personalidades que apresentem características físicas que fogem aos padrões e questionar o conceito de feio e bonito.

• Promover a leitura de livros que abordem a temática do preconceito.

• Fazer dramatização dos livros lidos.

• Organizar a turma em grupos e encarregar cada um de elaborar uma história sobre uma criança com uma característica física ou mental especial. Terminadas as histórias, organizá-las em um livro e, se possível, providenciar uma cópia para cada aluno.

• Montar, na sala de aula, um mural onde a criança possa desabafar. Se, durante o dia, alguém disser algo que a ofenda ou magoe, ela escreve o que aconteceu e quem foi o autor e deixa ali uma mensagem de desagravo para o ofensor.

Acompanhe o teor do que aparece escrito e converse com os conflitantes. Esse tipo de atitude poderá ajudar caso você tenha alunos comumente alvo de discriminação (seja por raça, cor, tamanho, porte de alguma deficiência, etc.).

Editorial

3- Discutindo preconceito racial e étnico

Peça que cada aluno monte a sua história (e a da família), falando do brinquedo preferido, da comida de que mais gosta, da família, etc. Monte um livro com todas as histórias dos alunos e pergunte: “Como seria o mundo se todos fossem iguais?”.

Confecção de bonecos: é raro encontrar, no mercado, bonecas negras, orientais e indígenas, o que contribui para reforçar a exclusão das crianças desses grupos.

Se houver possibilidade, envolva mães, pais, parentes das crianças e confeccionem, juntos, marionetes e bonecos que representem pessoas negras. Evite estereótipos (por exemplo, negros sempre pobres ou sempre jogadores de futebol). Monte, com as crianças, um teatrinho em que haja personagens brancas, negras e amarelas em papéis de igual valor (evite dar sempre os papéis de destaque para alunos brancos).

Monte um mural com os personagens preferidos das crianças. Verifique se há algum negro ou oriental. Crie, com os alunos, personagens de diferentes etnias e envolva as crianças na elaboração de uma história em quadrinhos (HQ).

Aproveite o momento para trabalhar com a turma os diferentes povos que formaram a atual população brasileira. Qual a ascendência de cada um? Divida a classe em grupos e encarregue cada um de pesquisar um povo e sua contribuição para a formação da cultura brasileira: na língua, na alimentação, nos costumes, etc.

Depois de estudar os diferentes povos que colonizaram o Brasil e contribuíram para a formação do povo brasileiro, monte, com as crianças, uma feira das nações. Cada grupo pode usar trajes típicos, fazer performances, cantar, enfim, o que a sua criatividade sugerir. Se possível, envolva toda a comunidade escolar nessa feira, abrindo-a para a participação dos pais.